Nubank e Mercado Pago travam envio de cripto após falha em parceiro de risco
Instabilidade em fornecedor externo de compliance e prevenção a fraudes congela saques temporários em fintechs brasileiras; serviços iniciam normalização.
O Nubank e o Mercado Pago suspenderam de forma preventiva as transferências externas de criptoativos em suas plataformas após uma instabilidade operacional crítica em um provedor parceiro de monitoramento de risco e compliance. O bloqueio temporário atingiu saques e depósitos direcionados a carteiras externas na NuCripto e no ecossistema do Mercado Pago, gerando alertas no mercado financeiro sobre a resiliência das integrações em infraestruturas fintech reguladas.
Segundo comunicados emitidos pelas duas instituições financeiras, o incidente não comprometeu os sistemas internos nem colocou sob risco a integridade dos saldos e das contas dos usuários. As funções de compra, venda e custódia de criptoativos dentro dos próprios aplicativos continuaram operando normalmente durante todo o período. A interrupção pontual atingiu exclusivamente as esteiras de telemetria e checagem de conformidade de transações entre carteiras externas (on-chain), cujo fornecedor terceirizado é responsável pela prevenção à lavagem de dinheiro (AML) e validação de regras de combate a fraudes.
O reestabelecimento dos serviços teve início no sábado (7), com o Nubank confirmando a retomada gradual e completa dos depósitos e saques após a recuperação do fornecedor externo. No Mercado Pago, ordens de transferência represadas entraram em fila de reprocessamento prioritário. Especialistas em infraestrutura financeira destacam que travar transações de saída diante da cegueira temporária de uma API de risco é uma prática padrão de governança para evitar evasão de divisas ou movimentações atípicas antes que a telemetria seja restabelecida.
Para quem empreende e trabalha com tecnologia, o episódio expõe a dependência crítica que modelos de negócios modernos mantêm em relação a provedores únicos de inteligência de risco, compliance e KYC via API. Para fundadores de fintechs, plataformas de e-commerce e empresas que integram liquidação em ativos digitais, o caso reforça a urgência de desenhar arquiteturas com redundância ativa (multi-vendor) e planos formais de contingência. Quando uma esteira regulatória externa sofre indisponibilidade, ter planos claros de comunicação com o cliente e travas automáticas de segurança é a diferença entre uma pausa técnica controlada e um dano irreversível de confiança de mercado.
Apuração e cobertura pela Redação do Expresso Empreendedor com base em relatórios setoriais e dados públicos da indústria.